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'Cidade fantasma' nos EUA atrai imigrantes em busca de espírito empreendedor

Na contramão de municípios que rejeitam imigrantes, Dayton oferece incentivo a famílias e consegue dar vida a antigo cenário pós-apocalíptico de casas abandonadas
por Julia Preston

Para lutar contra a devastação do declínio industrial, a cidade de Dayton, Ohio, nos EUA, adotou há dois anos um novo plano para reviver sua economia e seu ânimo: tornou-se um imã de imigrantes.

Como forma de ajudar a melhorar o emprego e deter a queda populacional, o conselho municipal aprovou um programa para atrair novos estrangeiros e encorajar os que já estão aqui, tornando a cidade “amiga dos imigrantes”.

No norte de Dayton, onde até recentemente via-se o cenário pós-apocalíptico de casas abandonas, hoje moram 400 famílias turcas, muitas vindas de outras cidades americanas. As cercas brancas, telhados novos e varandas recém-pintadas são sinais de uma rápida renovação urbana promovida pelos imigrantes, um casa de cada vez.

“Queremos investir nos lugares onde somos melhor aceitos. E somos bem aceitos em Dayton”, afirmou Islom Shakhbandarov, um líder dos imigrantes turcos.

Outras cidades em dificuldades estão tentando voltar a crescer atraindo imigrantes empreendedores, tanto trabalhadores altamente qualificados como mão-de-obra para tarefas mais simples. No meio-oeste, iniciativas similares começaram recentemente em Chicago, Cleveland, Columbus, Indianapolis, St. Louis e Lansing, assim como em Detroit, que se esforça para se reerguer após a falência.

Em junho, autoridades dessas e outras cidades se encontraram em Detroit para lançar uma rede comum. “Quermos de volta o espírito empreendedor que os imigrantes trazem”, disse Richard Herman, um advogado em Cleveland que aconselha as cidades sobre o desenvolvimento baseado na imigração.

A atual receptividade aos imigrantes reflete uma mudança mais ampla na opinião pública, mostram pesquisas, enquanto o país deixa para trás o pior da recessão. Mais americanos concordam que os imigrantes, mesmo os que estão ilegalmente no país, ajudam a economia. Essa visão dá ímpeto aos esforços do Congresso para reformar o sistema de imigração, que muitos dizem estar equivocado.

A preocupação com a imigração ilegal descontrolada não é uma questão para Dayton. As autoridades locais dizem que seu objetivo é atrair imigrantes legais, mas eles não se empenham em perseguir os ilegais, contanto que se mantenham obedientes às demais leis americanas.

O momento da mudança em Dayton veio em 2010, por iniciativa dos imigrantes. Shakhbandarov disse ao prefeito recém-eleito da cidade, Gary Leitzell, que estava pensando em chamar outros imigrantes turcos nos EUA para residirem no local. A maioria dos turcos em Dayton são refugiados, fugidos da perseguição na Rússia e de outros países do antigo bloco soviético.

Leitzell ficou intrigado, mas aceitou. “A pior coisa que podia acontecer era que 4 mil famílias turcas viessem a Dayton e arrumassem 4 mil casas abandonadas. Então, por que não facilitar o seu sucesso?”, recorda o prefeito. Com 14 mil habitações vazias na cidade, as autoridades estavam abertas a tentar algo diferente.

As autoridades logo perceberam que a cidade de 141 mil habitantes já tinha uma pequena, mas crescente população estrangeira: 10 mil muçulmanos de diferentes países, refugiados do Burundi e Somália, estudantes da China, Índia e Arábia Saudita, Filipinos trabalhando na saúde e muitos trabalhadores latino-americanos, dos quais grande parte na ilegalidade.

A cidade fez reuniões com a comunidade para ver se os residentes estavam prontos para receber os estrangeiros. A única oposição veio de grupos anti-imigração ilegal de outras cidades. Em outubro de 2011, o município aprovou o programa "Boa-Vindas" de Dayton.

Trabalhando com organizações locais, a cidade buscou intérpretes para os escritórios públicos, incluiu livros em línguas estrangeiras na bibliotecas e organizou aulas de inglês para os estrangeiros. Os professores também passaram a estudar outras línguas.

Grupos locais deram cursos sobre como abrir pequenos negócios e ajudaram famílias de refugiados e estudantes. Junto com a Wright State University, uma instituição pública, as autoridades de Dayton conseguiram diminuir a burocracia para que médicos e engenheiros obtivessem certificação para a prática profissionais nos EUA.

O chefe de polícia não pede mais para conferir o status de imigração quando se trata de testemunhas de crimes, vítimas ou pessoas paradas por infrações de trânsito leves. Uma união de delegados de municípios vizinhos chegou a denunciar a prática, alegando que Dayton se tornou um “santuário” onde as leis de imigração não eram aplicadas.

Mas o chefe de polícia, Richard Biehl, defendeu a abordagem, dizendo que assim a polícia pode concentrar seus recursos em resolver crimes sérios. “Se temos um grupo de cidadãos que tem medo de falar conosco, isso compromete nossa capacidade de garantir a segurança pública”, afirmou.

Para a cidade, o programa não custou mais do que um salário para o coordenador. Embora ainda seja cedo para dizer se a ideia vai levar à recuperação econômica, os primeiros resultados são promissores.

Os turcos escolheram Dayton, diz Shakhbandarov, porque o custo de vida é baixo e há universidades próximas para seus filhos. Os recém-chegados abriram restaurantes e lojas, e usaram suas economias para reformar casas no norte da cidade, em um investimento estimado em US$ 30 milhões.

Uma pesquisa recente sugere que a experiência de Dayton não é um acidente. O estudo nacional, publicado em setembro, do professor de economia da Duke University Jacob L. Vigdor, mostra que nas últimas quatro décadas os imigrantes ajudaram a preservar empregos nas cidades onde residem, sustentando postos de trabalho de americanos. Eles ainda ajudaram a manter o valor dos imóveis. Para cada mil imigrantes que se mudaram para um município, 270 americanos vieram em seguida, descobriu Vigdor.

A experiência de Dayton é particularmente próxima da casa de um deputado que provavelmente terá grande impacto no debate em Washington sobre imigração: o presidente republicano da Câmara, John A. Boehner. Seu distrito é vizinho a Dayton.

Mas as autoridades de Dayton não estão esperando nada do Congresso. “Descobrimos que podemos repovoar nossa cidade, educar nossa população e inspirá-los a produzirem empregos. Em dez anos, quando o governo federal descobrir isso, estaremos prosperando”, afirmou o prefeito Leitzell.

Fonte: Ultimo Segundo - 13.10.2013

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