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Tragédia de refugiados sírios vista da Turquia

Por: Amur Gadzhiev

Na Jordânia aconteceu mais um encontro de chefes dos Ministérios das Relações Exteriores dos países que recebem a principal corrente de refugiados sírios. Durante o encontro foi várias vezes assinalado que, hoje, os sírios enfrentam uma catástrofe sem precedentes.

Selin Unal, porta-voz da Direção do Supremo Comissário da ONU para os Refugiados da ONU, revelou, em declarações à Voz da Rússia, a sua opinião sobre o encontro dos ministros das Relações Exteriores na Jordânia e sobre as dificuldades que enfrentam os sírios na Turquia:

"O encontro de ministros na Jordânia é, no fundo, a continuação da conferência que recentemente se realizou na Turquia. Durante o encontro, os participantes manifestaram-se novamente pela rápida regularização política na Síria. Porém, por enquanto, nada mudou. Atualmente, cerca de 3 milhões de pessoas encontram-se nos países vizinhos, cerca de 2,7 milhões de sírios pediram refúgio e receberam o estatuto de refugiados."

Hoje, grande parte dos refugiados encontra-se em cinco países vizinhos. Quanto ao número de sírios que deixaram a sua pátria, a Turquia encontra-se em segundo lugar. Atualmente, a quantidade de refugiados registrados é de mais de 720 mil pessoas. Deles, 220 mil pessoas vivem em 22 campos montados em 10 províncias do país. Mais de 500 mil sírios encontram-se fora desses campos.

Um dos principais problemas dos refugiados na Turquia consiste em que metade deles são menores. Ou seja, de fato, trata-se de uma comunidade de refugiados fundamentalmente constituída por crianças. Elas necessitam de instrução. Na sua infância, elas enfrentam doenças sérias. Se nos campos, estes problemas se resolvem de uma ou de outra forma, lutar contra essas dificuldades é praticamente impossível fora deles.

Durante o encontro na Jordânia, foi novamente defendida a necessidade da regularização mais urgente da crise síria. Sublinhou-se que a solução política é a única via para o fim da catástrofe humanitária na república síria.

Ozturk Turkdogan, presidente da Associação de Direitos Humanos da Turquia, falou da sua visão sobre a situação dos refugiados sírios e das perspetivas de regularização da crise síria:

“Hoje, estamos perante uma grande tragédia. Em diferentes cidades da Turquia vivem cerca de 800 mil refugiados sírios, estando praticamente abandonados ao seu destino. Muitos deles dedicam-se à mendicidade e vivem em condições inadmissíveis. O governo turco paga apenas as despesas com os medicamentos. Diferentes organizações de caridade e municipais prestam ajuda, mas isso é insuficiente. É necessário garantir-lhes o regresso seguro à pátria e, para isso, é preciso pôr fim ao derramamento de sangue na Síria.

Alguns países têm particular responsabilidade no que respeita à solução da crise síria. Sabe-se que os grupos que combatem na Síria do lado da oposição, recebem apoio da parte de estados estrangeiros. Por isso, países como a Turquia, a Arábia Saudita, o Qatar, etc. devem, finalmente, dar um passo no sentido do cessar de fogo na Síria. As pessoas não regressarão a lugares onde continuam os bombardeamentos.

A guerra na Síria dura há mais de três anos. Porém, o poder sírio mantém-se. Isso mostra que a solução da crise é impossível sem a participação do governo de Assad. Por outro lado, nas regiões setentrionais da Síria, onde vivem fundamentalmente curdos, foi organizada autonomia local. Juntando os seus esforços, eles rechaçaram uma série de ataques da parte dos extremistas e não emigraram para outros países.

Significa que é possível a regularização do problema sírio. Mas a sua realização deve acontecer no quadro da integridade territorial da república árabe e com a participação da direção da Síria. A estratégia com vista a derrubada de Assad e as tentativas de levar a oposição ao poder falharam definitivamente. Isso significa que é necessário elaborar uma nova estratégia, com a ajuda da qual na Síria se poderá realizar reformas democráticas com a participação de todas as forças políticas do país. Só desse modo se poderá travar a tragédia síria e fazer regressar os sírios para casa”.

Fonte: Rádio Voz da Rússia - 11.05.2014

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