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Crianças da Síria: mais de cinco milhões precisam de assistência humanitária

O Unicef calcula que dois milhões precisam de ajuda psicológica e a ONU registou em agosto que 8.803 morreram no atual conflito.

Por: Ivan de Vargas

Madri - A Organização das Nações Unidas (ONU) denuncia que 12,2 milhões de pessoas, entre elas 5,6 milhões de crianças, precisam de ajuda e assistência humanitária urgente na Síria, onde a guerra civil, que se arrasta há mais de três anos, já deixou 7,6 milhões de pessoas sem lar dentro do país e levou mais de 3,2 milhões a se refugiarem no Líbano, na Jordânia, no Iraque, na Turquia, no Egito e em outros países do norte de África. Dos 3,2 milhões de refugiados, 1,65 milhão são crianças.

Os menores são os principais afetados pelo conflito. Mais de um milhão estão em áreas sitiadas na Síria ou em regiões do país em que o acesso da ajuda humanitária é muito difícil devido à violência contínua. O Unicef calcula que dois milhões de crianças sírias precisam de assistência e tratamento psicológico.

Há muitos outros dados alarmantes fornecidos por organizações humanitárias que trabalham com a infância na região. Antes da guerra civil, o índice de escolarização era de quase 100% e a Síria destinava quase 5% do PIB à educação. Quase quatro anos de conflito deixaram o país com a segunda pior taxa de escolarização do mundo, com 2,8 milhões de crianças que deixaram de ir à escola, seja porque tiveram que abandonar o lar, seja porque as escolas fecharam ou foram destruídas.

Especialmente grave é a situação das meninas. Entre os refugiados sírios na Jordânia, o índice de casamentos infantis aumentou de 18% do total de casamentos em 2012 para 32% no primeiro trimestre de 2014. Algumas das razões deste aumento são a tentativa de fugir da pobreza, de proporcionar meios de vida para as jovens ou de se proteger num ambiente familiar marcado por abusos.

A guerra também vem afetando os menores com doenças que poderiam ser prevenidas por medicamentos e vacinas. Há um grande aumento dos casos de diarreia, sarampo e pneumonia. Segundo os dados da organização Save The Children, o número de crianças com leishmaniose antes da guerra era inferior a 3 mil; agora, supera os 100 mil. Só na primeira semana de 2014, foram registrados 84 casos de sarampo; em todo o ano de 2010, tinham sido 26. O número de crianças com meningite nas primeiras duas semanas de 2014 chegou ao dobro do total de casos do ano inteiro de 2010. A poliomielite, erradicada em toda a Síria em 1995, retornou e já contagiou 80 mil crianças no país.

Mesmo com os apelos das organizações e agências internacionais, o acesso da ajuda humanitária aos refugiados internos e à população civil é extremamente difícil. A situação não melhorou nem sequer depois da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, há dois meses.

A guerra na Síria já fez 250.000 vítimas. Em agosto, um relatório da ONU registrou 8.803 crianças mortas durante o conflito, das quais 2.165 tinham menos de dez anos de idade. São números espantosos que não param de crescer e que nunca são precisos, já que os próprios autores do estudo afirmam que há casos que não puderam ser documentados. A tragédia síria continua sem que praticamente ninguém se atreva a dar um basta efetivo à perda de tantas vidas inocentes.

Fonte:ZENIT - 02.12.2014

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