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Missionária gaúcha ensina português a imigrantes em abrigo de Rio Branco

Freira Ires de Costa, de 66 anos, faz trabalho voluntário há 15 dias no Acre. Católica pertence à Congregação das Irmãs São Carlos Scalabrinianas.

Por: Caio Fulgêncio e Yuri Marcel

O amor pelo trabalho missionário com imigrantes é a motivação da freira Ires de Costa, de 66 anos, natural do Rio Grande do Sul, que há duas semanas atua no abrigo em Rio Branco. A católica pertence à Congregação das Irmãs São Carlos Scalabrinianas e se mudou para Acre a pedido da diocese da capital acreana. O ensino do português tem sido uma das principais atividades que ela desenvolve.

"Temos o carisma de trabalhar com o serviço evangélico aos imigrantes. Estou em Rio Branco para ficar no meio deles, como um sinal de solidariedade, ensino de português, nós rezamos e também cantamos. Como falo francês, também ajudo nessa parte da tradução, quando o intérprete precisa ou em algum atendimento médico", conta.

A freira não estipulou um tempo de permanência no estado acreano. Ela diz que pretende atuar como voluntária no abrigo até que sua presença seja útil. No momento, Ires trabalha sozinha, mas a congregação deve enviar nos próximos dias outra freira scalabriniana.

"Vou ficar enquanto sentir que posso ser uma presença para eles. Eu sinto que eles ficam felizes que alguém está com eles. Circulo no meio deles e nós conversamos muito. Não resolvo o problema deles, mas é uma presença solidária, de esperança. Por enquanto, estou sozinha como voluntária, mas virá outra freira", informa.

Além do ensino do português, a freira diz que se preocupa em preparar os imigrantes que chegam ao Brasil pelo Acre - principalmente, haitianos - a lidarem com qualquer tipo de preconceito nas cidades para onde pretendem ir. Para ela, o povo brasileiro, de um modo geral, tem um espírito acolhedor.

"Nós preparamos os imigrantes. Sempre digo que o brasileiro, no geral, é acolhedor, mas, certamente, eles vão encontrar pessoas que não têm esse mesmo espírito. Pessoas que não estão aceitando essa situação. Porém, deixo claro que não é o que o brasileiro pensa no geral. Para Deus não existe raça, cor, nacionalidade, somos todos irmãos, seres humanos. Isso que é importante", acrescenta.

Ires salienta que, apesar do estranhamento de alguns brasileiros em relação ao surto migratório no país, uma integração cultural deve ocorrer. "Estive em Manaus [AM], onde antes começou a imigração, e têm muitos imigrantes já integrados. Muitos com comércio, trabalhando, estudando. Logo vão se integrar no Acre também, certamente", finaliza.

Rota de imigração

Imigrantes chegam ao Acre todos os dias através da fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital. A maioria é composta por imigrantes haitianos que, desde 2010, passaram a deixar a terra natal após um forte terremoto devastar o país e deixar mais de 300 mil mortos. De acordo com dados do governo do estado, entre 2010 e maio de 2015, mais de 38,5 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Os imigrantes chegam ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares. Para chegar até o Acre, eles saem, quase sempre, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, na República Dominicana, que fica na mesma ilha. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.
Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia.

Fonte: G1 Acre - 03.07.2015

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