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Grécia denuncia “critérios racistas” na colocação de refugiados na UE

O ministro das Migrações grego defendeu o fim da seleção de refugiados que transforma o processo num “mercado humano”. A Grécia quer mais apoio europeu para o acolhimento e registo de refugiados. Tsipras e Guterres estiveram reunidos esta manhã em Atenas

O plano europeu de distribuição de refugiados pelos Estados-membros da UE foi transformado num autêntico “mercado humano”, denunciou Yannis Mouzalas em declarações à Reuters. Alguns países procuram escolher os “seus” refugiados a partir de critérios religiosos.

“Situações como ‘queremos 10 cristãos’, ou ’75 muçulmanos’, ou ‘queremos que sejam altos, loiros, de olhos azuis e três filhos’ são insultuosas para a personalidade e a liberdade dos refugiados”, afirmou o novo ministro das Migrações grego, defendendo que “a Europa deve manifestar-se categoricamente contra isso”.

Mouzalas, que é ginecologista de profissão e fundador do secção grega dos Médicos do Mundo, apelou à Europa para que torne as quotas de acolhimento obrigatórias, porque “caso contrário vão transformar-se num mercado humano e a Europa não tem o direito de fazer isso”.

Entre os cerca de 400 mil refugiados que chegaram à Grécia, há ainda muitos milhares, sobretudo do Afeganistão, que não conseguem sair do país por falta de meios e também por discriminação na obtenção do estatuto de refugiado na União Europeia.

Para Mouzalas, “é absurdo pensar que os afegãos vêm para cá em busca de um trabalho melhor. Há uma guerra prolongada a decorrer e não se está seguro em lado nenhum, esta é que é a realidade”.

Segundo o diário Kathimerini, até agora a Grécia recebeu 33 milhões de euros em ajuda europeia ao acolhimento, mas as necessidades obrigam ao reforço dessa verba. O governo solicitou assistência técnica para o processo do registo de refugiados e em breve chegarão alguns vindos da Áustria.

O chanceler austríaco Werner Faymann visitou com Alexis Tsipras a ilha de Lesbos, um dos principais pontos de chegada dos refugiados nas ilhas gregas, e pôde assistir à falta de meios que obriga muitos deles a esperar dias a fio antes do registo e da saída para o continente. Milhares de refugiados não chegam a desembarcar, tornando o Mediterrâneo num cemitério.

Já a preparar a vaga de refugiados do próximo ano, a Grécia está a construir “hotspots” de registo nos pontos de chegada e mais centros de acolhimento em vários pontos do país, com capacidade inferior à que a União Europeia propôs. Em vez de 15.000 pessoas, cada centro vai acolher entre 8 a 10.000. “Mas se Damasco cair amanhã, não haverá mar revolto que os faça ficar. O ritmo aumentará e o número de mortos também”, concluiu o ministro grego.

Tsipras reuniu com António Guterres sobre situação dos refugiados

O encontro desta segunda-feira entre o primeiro-ministro grego e o Alto Comissário da ONU para os Refugiados serviu para trocar impressões sobre a difícil situação da Grécia enquanto ponto de chegada pela a maioria dos refugiados sírios na União Europeia.

António Guterres sublinhou o contributo da Grécia para a gestão da crise dos refugiados e a solidariedade demonstrada pela população, enquanto Alexis Tsipras defendeu a necessidade de encontrar formas de passagem direta para a UE dos refugiados que se encontram em campos de acolhimento na Turquia.

O caso dos refugiados afegãos, impedidos de entrar na UE por dificuldades de obterem o necessário visto, também foi abordado neste encontro, com o primeiro-ministro grego a propor que sejam incluídos nos programas de acolhimento por parte da união Europeia. Por seu lado, António Guterres defendeu ser necessário encontrar meios legais de entrada dos refugiados na Europa, para evitar que prossiga o florescente mercado do tráfico humano. Para o Alto Comissário, o programa europeu de acolhimento é um ponto de partida, mas não basta e deve ser alargado a outras nacionalidades para além da Síria, Eritreia e Iraque.

Fonte: Info Grecia - 12.10.2015

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