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Diversidade ‘é riqueza, não ameaça’, diz Guterres em fórum sobre discriminação contra muçulmanos

Em vídeo para evento em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou para que sejam reforçados os princípios da inclusão, da tolerância e do entendimento mútuo na luta contra a discriminação antimuçulmana – também chamada de islamofobia – e contra o ódio em distintos contextos. O encontro foi promovido pelo Canadá, EUA, União Europeia e a Organização para a Cooperação Islâmica.

No Brasil, os casos de islamofobia não são isolados. Essa realidade é destaque do relatório ‘Intolerância Religiosa no Brasil’, que será lançado nessa semana (19) no Rio de Janeiro. Confira o vídeo de António Guterres e todas as informações na reportagem especial.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou nesta terça-feira (17) para que sejam reforçados os princípios da inclusão, da tolerância e do entendimento mútuo na luta contra a discriminação antimuçulmana — também chamada de islamofobia — e contra o ódio em distintos contextos.

Um encontro de alto nível realizado nesta semana em Nova Iorque — promovido pelas missões do Canadá e dos Estados Unidos, pela delegação da União Europeia e pela Organização para a Cooperação Islâmica — teve como objetivo reconhecer o valor da diversidade em todo o mundo.

“A discriminação diminui todos nós. Isso impede que as pessoas — e as sociedades — alcancem seu pleno potencial”, disse Guterres em uma mensagem em vídeo para o encontro.

“Em tempos de insegurança, comunidades vulneráveis que parecem diferentes se tornam bodes expiatórios convenientes”, acrescentou o secretário-geral da ONU, pedindo a todos que resistam aos esforços que tentam dividir as comunidades.

Observando que os crimes de ódio antimuçulmanos, a xenofobia, o racismo, o antissemitismo e outras formas de intolerância estão em ascensão, o chefe da ONU disse que muitas pessoas são vítimas da intolerância que pode não aparecer nas estatísticas — e que, mesmo assim, continua a atacar a dignidade das pessoas e a “humanidade comum”.

Guterres também sublinhou a necessidade que as pessoas em todo lugar sentem de valorizar suas identidades culturais — e, ao mesmo tempo, ter um forte sentimento de pertencimento à comunidade como um todo. Guterres disse que, à medida que as sociedades se tornam multiétnicas e multirreligiosas, são necessários investimentos culturais e econômicos na coesão, de modo que a diversidade seja justamente vista como uma riqueza, não uma ameaça.

Em sua mensagem, Guterres também destacou a campanha da ONU “Juntos” (em inglês, “Together”), um esforço para promover o respeito, a segurança e a dignidade para todas e todos.

“Juntos, vamos enfrentar o fanatismo e os direitos humanos. Juntos, vamos construir pontes. Juntos, transformemos o medo em esperança”, concluiu.

No Brasil, aumento da intolerância

No Brasil, os casos de islamofobia não são isolados. Essa realidade é destaque do relatório ‘Intolerância Religiosa no Brasil’, que será lançado no próximo dia 19, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

O documento é fruto da parceria entre a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e do Laboratório de História das Experiências Religiosas (LHER) do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em um estudo do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, os pesquisadores avaliaram os períodos de julho de 2012 a setembro de 2015 (totalizando 1.014 atendimentos) e de setembro a dezembro de 2015 (totalizando 66 atendimentos).

No primeiro período, as denúncias contra as religiões afro-brasileiras representaram 71,15%; já no segundo período, de setembro a dezembro de 2015, 32% das denúncias eram contra os muçulmanos.

O expressivo registro por parte dos muçulmanos, segundo os pesquisadores, pode estar associado à ocorrência de fatos internacionais ligados às ações do chamado ‘Estado Islâmico’ — grupo terrorista que tomou diversas regiões no Oriente Médio e parte do norte da África —, o que no Brasil acabou por resultar em práticas e ações contra a comunidade islâmica.

Neste período, a partir de uma pesquisa virtual, a Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ) destacou 33 denúncias em mídias virtuais (sites, youtube, facebook) e nove ataques, sendo seis agressões e ofensas contra mulheres muçulmanas e três ataques contra instituições islâmicas.

Em escala nacional, a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH) — vinculada ao Ministério da Justiça e Cidadania — informa que, de 2011 a 2015, foram registrados 697 casos de discriminação vinculados a alguma religião por meio do Disque 100, criado com o objetivo de dimensionar a quantidade de denúncias. Qualquer pessoa que se sentir agredida devido à sua crença pode denunciar pelo número 100, ou ainda pelo site www.humanizaredes.gov.br.

Fonte: ONU BR - 17.01.2017

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