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Sobreviventes do ‘caminhão da morte’ no Texas relatam momentos de horror

 25.07.2017

James Matthew Bradley Jr. abriu as portas do caminhão e a tragédia se revelou. “Os corpos estavam inertes no chão como se fossem carne”, disse à polícia o motorista do caminhão. No último domingo, dezenas de imigrantes ilegais foram descobertos dentro de um veículo no Texas. Dez morreram asfixiados.

Ao todo, 39 imigrantes – 25 deles mexicanos – lutavam para sobreviver sob uma temperatura próxima de 65 graus. Oito pessoas haviam morrido quando o motorista parou em um estacionamento. Outros dois faleceram em hospitais. Quinze pessoas estão em estado crítico por dano cerebral devido a exposição ao calor, falta de oxigênio ou desidratação.

Os documentos judiciais aos quais o EL PAÍS teve acesso revelam uma viagem infernal. Os imigrantes faziam turnos para respirar por um buraco que encontraram em uma parede do veículo. Alguns desmaiaram, outros morreram de asfixia e desidratação enquanto tentavam fazer o caminhão parar. As testemunhas contam que tentaram alertar o motorista do terror que viviam batendo nas paredes do compartimento de carga. Não obtiveram resposta.

"As pessoas começaram a bater nas paredes para alertar o motorista, mas ele não parou"

Tinham pago entre 3.300 e 5.500 dólares (cerca de 18.000 reais) para embarcar no caminhão que os levaria aos Estados Unidos. Sem comida nem água, as horas passavam devagar e o desespero crescia à medida que o calor aumentava.

No volante, estava Bradley, de 60 anos, que afirma que não sabia que estava transportando imigrantes. O motorista, que pode ser condenado à pena de morte ou à prisão perpétua, diz que foi surpreendido por batidas procedentes do compartimento de carga.

Um dos imigrantes mexicanos a bordo foi descrito no relatório dos investigadores federais como J.M.M-J. Embarcou no caminhão em um lugar indeterminado da fronteira dias depois de sair de Aguascalientes (México) com destino a San Antonio (Texas).

Às 9h de sábado, uma caminhonete o levou, junto com outras 28 pessoas, até o caminhão dirigido por Bradley. Foram os últimos a embarcar. Havia cerca de 70 indivíduos no interior do veículo, diz ele. A polícia encontrou 39 pessoas.

A.L.V., outro imigrante que viajava no caminhão, declarou a agentes federais que estava com um grupo de 24 pessoas, passaram 11 dias escondidos em uma casa de segurança em Laredo (Texas). “Quando cheguei ao trailer, havia 70 pessoas lá dentro e fazia muito calor”, disse.

H.L.C. – a última testemunha incluída no documento – descreveu um grupo maior: de 170 a 200 pessoas. O imigrante atravessou a fronteira em Laredo. Tinha pago 60.000 pesos mexicanos, 3.300 dólares, para entrar nos Estados Unidos.

J.M.M-J declarou que às 21h de sábado alguém abriu a porta do caminhão e lhes disse que iriam partir. Entregaram a cada grupo cores diferentes para que os traficantes pudessem identificá-los. “O homem disse que o caminhão tinha refrigeração e não havia nada com que se preocupar”, detalhou o depoimento.

O imigrante recordou que durante a primeira hora de viagem todos pareciam estar bem. Depois o calor começou a ficar insuportável até que o caminhão freou de repente e vários passageiros caíram abruptamente no chão. Alguém, que não foi identificado, abriu as portas. Em poucos minutos, vários imigrantes embarcaram em seis jipes pretos. Os veículos partiram imediatamente.

Os que ficaram para trás seguiram viagem no trailer, mas não está claro quanto tempo passou até o motorista finalmente abrir as portas. E revelar o horror que chocou o país inteiro reavivando um dos debates mais acirrados nos Estados Unidos:a travessia ilegal de indocumentados e a política imigratória do país.

Fonte: brasil.elpais.com

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