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Refugiados rohingya recebem assistência psicológica em Bangladesh

Muitos refugiados que fogem de Mianmar vivenciam horrores inimagináveis. Você pode realizar doações para o ACNUR e ajudar os rohingya.

KUTUPALONG, Bangladesh, 02 de novembro de 2017 - Quando o barco de pesca abarrotado de pessoas parou de funcionar durante a tempestade, Nurus Salam foi arremessado ao mar segurando seu único filho. Ele o segurou tão forte quanto podia, mas as ondas afrouxaram seus braços. De repente, Abdul, de dois anos, se foi. "Quando fecho os olhos, eu continuo ouvi-lo a chorar: 'papai, papai'", ele lamenta.

Nurus, de 22 anos, está entre os 27 sobreviventes de um naufrágio que ocorreu ao largo da costa de Bangladesh no dia 26 de setembro e matou pelo menos 23 pessoas. Entretanto, esse número é provavelmente maior. Ele, que no naufrágio também perdeu sua esposa, Sanjida, de 18 anos, está fazendo terapia em sessões de apoio psicológico realizada em uma sala de aula no campo de refugiados de Kutupalong, liderada por uma psicóloga do ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados.

Vinte dos sobreviventes se reúnem na sala da Escola Primária Peacock, que funciona como acomodação temporária. Sentada de pernas cruzadas no chão, Rashida Begum, de 23 anos, conta à terapeuta, Mahmuda, como perdeu sua filha de sete meses na arrebentação.

Este é o atendimento emergencial de saúde mental e apoio psicológico realizado na linha de frente da crise dos refugiados rohingya, um desastre humano que vem resultando em sofrimento numa escala inimaginável.

Abder Rashid, de 16 anos, explica que seu pai foi morto a tiros em Mianmar. Sua mãe se afogou quando o barco saiu da praia e, como é o mais velho dos quatro irmãos que sobreviveram, tornou-se o novo chefe da família.

"Agora eu tenho que cuidar dessas crianças. Não há mais ninguém", ele diz a Mahmuda. "Eu sinto o peso dessa responsabilidade quando tento dormir".

Psicóloga educacional e terapeuta com cinco anos de treinamento, Mahmuda também estudou psicoterapia e tem especialização em transtorno de estresse pós-traumático ou TEPT.

Ela é a única psicóloga que o ACNUR tem nos dois campos de refugiados oficiais do governo em Bangladesh - Kutupalong e Nayapara - e nas vastas cidades que crescem a cada dia, estruturadas por bambu e barracas de plástico, e que servem como moradia para centenas de milhares de pessoas. Há outros cinco psicólogos trabalhando com organizações parceiras, mas não há psiquiatras.

Desde o naufrágio do barco cinco dias antes, ela realizou uma sessão de grupo com todos os 27 sobreviventes e uma terapia individual com 14 dos homens, mulheres e crianças que chegaram à praia com vida.

Tragicamente, diante da contínua violência que desenraizou mais de meio milhão de pessoas em meio a circunstâncias impensáveis, o sofrimento dessas pessoas é apenas a ponta do iceberg.

"Todos os refugiados passaram por muitas experiências traumáticas", diz Mahmuda. "Eles caminharam por três ou quatro dias ou vieram de barco. Eles testemunharam massacres, tiroteios, torturas, estupros... eles viram de tudo".

Falando com uma voz suave, calma e segura, ela começa a segunda sessão de grupo para os sobreviventes do naufrágio com uma clara mensagem de tranquilidade: "Você está vivo", diz ela. "Você está seguro. Você não está sozinho. Estamos com você”. Eles escutam atentamente.

Estudos de saúde mental mostram que os refugiados são surpreendentemente resilientes. A maioria reage ao deslocamento e perdas com estresse agudo e reações de dor. Uma proporção menor - geralmente não mais do que um em cada cinco - apresenta formas leves ou moderadas de problemas de saúde mental, incluindo TEPT. Um número menor sofre distúrbios graves, como transtorno bipolar ou psicose.

Mahmuda tem recursos e tempo extremamente limitados. O psiquiatra mais próximo está em Dhaka e ela é capaz de oferecer apenas o básico aos médicos do campo que tiveram um curso intensivo em saúde mental. Ela tem poucas opções de encaminhamento para outras redes de saúde nos campos.

Surpreendentemente, dada a agonia que os sobreviventes do naufrágio estão vivendo, e os parcos recursos que Mahmuda têm à sua disposição, é possível perceber pequenos sinais de que alguns podem estar encontrando uma forma de seguir em frente.

Mahmuda tranquiliza aqueles que foram resgatados, que agora estão seguros e devem encontrar a força para continuar. Notavelmente, Rashida está começando a aceitar a perda de seu bebê. "Talvez seja nosso destino", ela diz à Mahmuda. "Quando estávamos em Mianmar, minha filha poderia ter sido morta pelo exército ou qualquer outra pessoa. Estou me dando esse consolo. Eu a perdi, mas tenho que sobreviver".

Além da perda de seus pais, Abder Rashid diz que está assustado com a responsabilidade de cuidar dos irmãos, de oito, nove e 12 anos. Ele escuta avidamente quando Mahmuda lhe dá informações sobre o apoio disponível. Ela explica que há um espaço para crianças no campo onde seus irmãos podem desenhar, jogar bola, fazer brinquedos e recuperar um pouco da infância. Ela também procurará apoio adicional para ele com outros parceiros no campo.

"Essas pessoas têm o direito de viver com dignidade e boa saúde mental, mas somos muito limitados em nossa capacidade". Para Mahmuda conseguir lidar com a angústia mental, em uma escala simplesmente inimaginável, ela se foca em seu treinamento e trabalho. Ela se pergunta de que forma isso a afeta e se o fato de continuar seu trabalho significa que ela está perdendo a sensação de empatia.

"Depois de chegar em casa, faço uma respiração profunda e alguns exercícios de relaxamento para me soltar - depois de ouvir essas histórias, é muito difícil ficar calma e em paz", diz ela.

Perguntada sobre o que precisa para ajudar seu grupo de pacientes que cresceu 15 vezes em pouco mais de um mês, ela é clara: pelo menos um psiquiatra, dois psicólogos infantis e treinamento para a equipe médica nos campos para que eles possam fornecer cuidados básicos de saúde mental para os refugiados rohingya.

"Essas pessoas têm o direito de viver com dignidade e saúde mental sólida, mas somos muito limitados em nossa capacidade, por isso não é possível cobrir essa grande população".

"Estamos dando nosso melhor a eles", diz ela, com sua calma e graça que certamente tranquilizam àqueles que procuram ajuda em meio a essa catástrofe. "Se houver alguém que possa nos estender a mão, agradeceremos".

Fonte: www.acnur.org

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