Rumo a uma soberania acolhedora e solidária: construindo pontes entre povos e países.

Nos últimos meses, o tema da soberania ganhou crescente destaque no debate público nacional e internacional. Entre os fatores que explicam esse movimento estão as denúncias de interferência externa em processos eleitorais de diversos países, a imposição de duras sanções econômicas motivadas por razões ideológicas ou pelo interesse em controlar as riquezas de outras nações e os discursos de lideranças políticas do Norte Global que expressam o anseio por restaurar relações de tipo colonial.

Esse cenário fomenta o nacionalismo xenófobo, alimenta práticas, políticas e narrativas racistas e discriminatórias, gera instabilidade política, aprofunda a exploração e o empobrecimento de países inteiros e contribui para a eclosão e manutenção de conflitos armados com a consequente depredação e degradação do meio ambiente. O impacto na questão da mobilidade humana é evidente: migrações forçadas, criminalização das pessoas migrantes e da sociedade civil solidária, deportações massivas, externalização das fronteiras e violações generalizadas dos direitos fundamentais, sobretudo dos migrantes “indesejados”.

Na perspectiva da promoção e da defesa dos direitos de cada pessoa e de cada povo, defendemos o reconhecimento da soberania de todos os países diante de qualquer tentativa de retorno ao colonialismo e de perpetuação da lógica da colonialidade. Almejamos uma soberania que construa pontes entre nações, que acolha migrantes e refugiados e que seja solidária com as dores, as lutas e as esperanças de cada povo e cada indivíduo.

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