Deportações e violação da dignidade de migrantes violada: vozes do Panamá

Mais uma vez a história obriga-nos a refletir sobre a essência do que é ser um Ser Humano. Hoje, chamamos a atenção para mais um fato cruel para as pessoas migrantes, em consequência de mais um ato da política de criminalização das migrações da Casa Branca, em pouco mais de 50 dias do início do novo mandato. Desde que D. Trump tomou posse, sua política migratória xenófoba e discriminatória, levou a prisões e a deportações em massa de imigrantes latinos, mas também de outros países do Sul global. As detenções de imigrantes aumentaram, contra aqueles sem documentos, tanto os que cometeram crimes como os que não têm registro criminal. Estas ações estão perigosamente inspiradas por ideias supremacistas que, tornando-se um movimento nacional, promove a perseguição de estrangeiros.

O governo do Panamá está colaborando com a política trumpista, colocando-se como um país “ponte” de modo a externalizar as fronteiras norte-americanas, que transferem para esse país a última etapa dos processos de deportação. Este acordo, aparentemente, acontece no contexto das ameaças de Donald Trump de assumir o controle do Canal do Panamá.

Nas primeiras horas da manhã do domingo 9 de março chegaram ao Panamá, na fronteira com o Darién, 299 pessoas, nenhuma de nacionalidade panameña, deportados dos Estados Unidos. A maior parte aceitou a repatriação compulsória aos países de origem (declarada como se fosse “voluntária” pelos governos envolvidos), deixando sem amparo 111 deportados, que não aceitaram a repatriação. Agências humanitárias, com a colaboração de organizações religiosas, entre as quais as Irmãs Ligia Ruiz e Alma Rosa Huertes das Missionárias Scalabrinianas, se mobilizam, desde então, para atender pessoas de mais de 15 nacionalidades, provenientes da Índia, China, Uzbequistão, Irã, Vietnã, Turquia, Nepal, Paquistão, Afeganistão e Sri Lanka, entre outros países.

Com o objetivo de coordenar o acolhimento no centro jesuíta Fe y Alegría, houve articulação entre muitas organizações.A Missão San Juan Bautista Scalabrini, presente no Panamá há 9 meses, faz parte da REDE CLAMOR e chama a atenção do mundo para mais essa violação de direitos humanos das pessoas em mobilidade e colabora com ações de articulação e de atendimento direto. A Irmã Ligia, mscs informou que, das pessoas que ficaram no Panamá,algumas “que consideramos las más vulnerables las ubicamos en el en Hogar Luisadonde la Misión Scalabriniana (Hermanas y Padres) somos parte del Equipo como Pastoral de Movilidad Humana (PMH) – Arquidiócesis de Panamá”. O Hogar Luisa, onde também a Ir. Alma Rosa atua diretamente no atendimento, é um centro integral de atenção ao migrante onde atualmente estão famílias venezuelanas, com espaço limitado para acolher esses novos migrantes.

Sobre as ações que estão sendo realizadas a nível logístico e de articulação entre os membros da RED CLAMOR e para acolher os migrantes transcontinentais, explica Ir Ligia: “Yo veo muy fundamental nuestro carisma scalabriniano junto con los padres, aquí estamos en clave de trabajo juntos, trabajo sinodal, y así es que queremos hacerlo, desde la RED CLAMOR, desde las otras áreas de pastoral social, inclusive ecuménicamente, ya que la iglesia bautista y otras instancias se están sumando cada momento, cada vez más”.

Apesar das limitações de recursos humanos e financeiros, a Missão San Juan Bautista Scalabrini expressa seu compromisso diante da emergência e denuncia mais uma vez as políticas anti migração dos Estados Unidos e de países que os apoiam. Ao mesmo tempo, somamos esforços e articulações para solidariedade e incidência, para que juntos, mídia e sociedade como um todo, sejamos capazes de impactar.

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